5 MERCHS PARA APOIAR BANDAS DA CENA INDEPENDENTE POTIGUAR
Na cena o merch ajuda banda a pagar ensaio, gravar música, viajar, divulgar trabalho e, muitas vezes, continuar existindo.

Entre adesivos, ecobags, bottons e camisetas ilustradas, alguns artistas potiguares vêm construindo identidades visuais tão fortes quanto a própria música.
Selecionamos alguns merchs da cena independente do RN que merecem atenção seja pela estética, criatividade ou pela forma como ajudam a fortalecer os projetos locais.
BIXANU
O merch da Bixanu funciona quase como uma extensão natural da identidade visual da banda. Toda a estética ligada ao EP “Candy Punk” aposta em tons de rosa chiclete, referências divertidas e ilustrações que conversam diretamente com o universo construído pelo grupo.

Créditos: Alex Oliveira
As artes variam entre diferentes artistas da cena independente. A primeira camiseta da banda, por exemplo, teve ilustração assinada por Bruno Oliveira, baixista da banda Rusty HC, enquanto outros produtos já passaram pelas mãos de artistas como Passiflora. Hugo Valentim, guitarrista da banda, também participa diretamente da criação visual, sempre contando com o apoio de Bel Severiano, vocalista do grupo, na finalização e diagramação das peças.
“A ideia é ter diversas possibilidades, a gente faz sempre com o que dá”
, explica Hugo.

Créditos: Mateus de Araújo
Atualmente, a banda trabalha com uma grande variedade de produtos: bottons, ímãs, chaveiros, pôsteres, adesivos vinílicos, ecobags, camisetas e outros itens que vão surgindo de acordo com as possibilidades de produção. Existe um cuidado claro em criar merchs acessíveis para diferentes públicos, desde quem consegue investir cinco reais em um adesivo até quem quer sair do show com camiseta nova.
A ecobag talvez seja um dos maiores acertos da banda: estilosa e espaçosa; e as camisetas do universo “Candy Punk”, ilustradas por Hugo Valentim, aparecem em modelos tradicionais e também em versões inspiradas em uniforme colegial, com opção de virar cropped.
Segundo Hugo, o processo de criação dos merchs parte sempre de uma pergunta simples: “a gente consegue se imaginar usando isso?”. A partir daí, a banda pensa quais produtos combinam melhor com cada arte e busca fornecedores capazes de transformar as ideias em itens físicos.
CARIDEA
No caso da Caridea, o merch nasceu antes mesmo de existir oficialmente como “linha de produtos”. Primeiro vieram os adesivos espalhados por postes, cases e ruas de Natal, Parnamirim e até Recife. Depois, quase como um pedido coletivo da própria fanbase, chegaram as camisetas.

Créditos: Nobir Produtora
A primeira estampa foi lançada em 2024 e carrega um conceito que funciona como manifesto visual da banda: a “Caridea Rock Crustáceo”, criada por Mateus Araújo, baixista e vocalista do grupo. A arte mistura referências do rock com símbolos ligados às raízes potiguares e à figura do “comedor de camarão”, transformando o crustáceo em personagem central da identidade da banda.
“A carapaça representa um som que parece pesado por fora, mas que por dentro é completamente emotivo”
, explica Mateus.
As artes surgem diretamente das composições, da vida litorânea e da mistura entre vulnerabilidade emocional e peso instrumental que marca o som da banda. O resultado são estampas que parecem funcionar quase como um “crachá cultural” para quem acompanha o grupo.
Hoje, além dos adesivos, a banda já conta com diferentes modelos de camisetas, incluindo a nova leva lançada em 2026 em duas cores diferentes e segue tratando o merch como parte importante da própria criação artística.
Mas existe também um outro lado menos romantizado desse processo: o corre independente.
Maiakovski Pinheiro, que ajuda na organização financeira e contato com fornecedores, explica que boa parte das produções ainda funciona através de pré-venda porque investir em merch continua sendo um desafio para bandas independentes. Ao mesmo tempo, ele aponta algo que vem fortalecendo a cena local: as próprias bandas começaram a consumir os produtos umas das outras.
“Às vezes parece troca de camisa de time depois do jogo”,
brinca.

Créditos: Nobir Produtora
No meio de dificuldades financeiras, produção independente e rotina corrida, o merch da Caridea acaba funcionando também como símbolo de pertencimento entre artistas, público e bandas amigas. Para Josué Netto, ver alguém usando uma camisa da banda carrega um significado que vai além da estética.
“É como deixar uma marca não só da Caridea, mas da própria cena independente que estamos vivendo hoje.”
Os produtos são também um registro físico desse momento da música autoral potiguar.
PEIXE FRITO
A Peixe Frito entendeu que merch também pode contar história e no caso deles, essa história vem direto do Alto Oeste potiguar.

Créditos: Vitória Lima
As artes dos produtos são assinadas por Lucas Lenin e Pedro Rafael, e carregam referências visuais que misturam cotidiano sertanejo, punk e caos. Azul saturado, amarelo forte, laranja, vermelho, personagens tortos e traços tremidos aparecem como parte dessa identidade construída quase como uma colagem emocional da vivência no interior.
“A gente une nossas referências punk com características do sertão e dá no que dá”
, resume a banda.
E realmente dá em algo difícil de ignorar, o último lançamento, por exemplo, trouxe camisetas terracota com a logo da banda em amarelo “puro óleo de fritura”. O detalhe mais genial está na entrega: as peças vinham dentro de quentinhas personalizadas, transformando o próprio merch em experiência visual e afetiva.

Créditos: Reprodução Banda
A escolha conversa diretamente com o nome da banda e com a estética construída pelo grupo sem parecer forçada. Tudo parece nascer do mesmo universo. Atualmente, a Peixe Frito trabalha principalmente com camisetas, já são pelo menos quatro modelos diferentes, sempre apostando em artes autorais. E existe um carinho perceptível na forma como eles falam sobre o público usando os produtos.
“A gente fica bem feliz, mostra que a galera curte genuinamente o que criamos”
, comentam.
“Esse intercâmbio entre artistas e público é o que faz tudo fazer sentido.”
A camiseta parece carregar um pedaço do lugar de onde a banda veio.
BOTOBOY
O merch da Botoboy segue aquela linha perigosa: você olha um item e, quando percebe, já quer levar tudo.

Créditos: Nobir Produtora
A identidade visual gira em torno do personagem do boto criado por Álvaro, responsável pelas artes dos produtos da banda. As ilustrações brincam justamente com esse lado caricato e engraçado da Botoboy, algo que acaba facilitando a identificação imediata do público com o universo do grupo.
A banda trabalha com uma diversidade grande de produtos: camisetas em duas cores, bottons, adesivos, ímãs, chaveiros, pôsteres, ecobags e outros itens que surgem conforme as possibilidades de produção. Existe um cuidado em criar opções para diferentes públicos e bolsos.

Créditos: Nobir Produtora
Segundo os integrantes, o processo começa sempre pensando em artes que eles mesmos gostariam de usar no dia a dia. Depois disso, a equipe busca quais produtos combinam melhor com cada ilustração e como transformar a ideia em algo possível dentro do orçamento.
“É sempre muito gratificante. É o reforço de que estamos no caminho certo”
, comenta Hugo Valentim, guitarrista da banda.
E uma dica, talvez seja bom já reservar um espaço na parede pros pôsteres também.
TAJ MA HOUSE
E para fechar essa nossa lista, um merch saindo do forno que está em pré-venda, o primeiro merch oficial do Taj Ma House.

Créditos: Reprodução Banda
As camisetas vinham sendo pedidas há algum tempo por quem acompanha o grupo, mas o lançamento acabou ficando em segundo plano diante da velocidade com que as coisas aconteciam. Entre shows, gravações, lançamentos e a construção de um disco, outras prioridades foram ocupando espaço.
"A gente já sabia dessa demanda há muito tempo, mas as coisas aconteceram muito rápido para a banda"
, explica Clara Luz.
O primeiro merch oficial chega justamente em um momento importante da trajetória do grupo. Além de atender aos pedidos recorrentes dos fãs, a venda das peças também ajuda a financiar a reta final de produção do novo disco.
A arte é assinada pelo estúdio Pássara3000, parceiro da banda desde os primeiros passos do projeto. Segundo Clara, a escolha aconteceu de forma natural, reforçando uma relação construída ao longo dos anos.
A camiseta funciona como um objeto de pertencimento, uma forma de materializar a conexão entre artista e público em um cenário onde grande parte da experiência musical acontece de forma digital.

Créditos: Reprodução Banda
Para a vocalista, esse apoio coletivo tem sido cada vez mais importante dentro da música independente.
"Eu acho que as coisas são possíveis se a gente agir como um coletivo"
, afirma.
E se este é apenas o primeiro merch da Taj Ma House, os planos não param por aí. Quando perguntada sobre futuros lançamentos, Clara responde sem hesitar: existem muitas ideias pela frente. Tantas que nem cabem em uma lista.




