Há dez anos, o Coletivo CIDA vem construindo sua trajetória nas artes da cena a partir do Rio Grande do Norte. Fundado em Natal, em 2016, por Arthur Moura, René Loui e Rozeane Oliveira, o núcleo artístico celebra a primeira década de atuação com uma programação que reúne memória, criação e circulação. 

Entre as ações comemorativas está o documentário “Trilogia em Dança-Tragédia – O Registro de um Tempo que Precisa Mudar”, pensado artisticamente por René Loui e Arthur Moura e dirigido pelo cineasta Jônatas Barbalho. O documentário acompanha e narra  a circulação nacional da Trilogia em Dança-Tragédia, formada pelos espetáculos “Corpos Turvos”, “Reino dos Bichos e dos Animais, Esse é o Meu Nome” e “Insanos e Beija-Flores a Dois Metros do Chão”.

Além dos registros das apresentações, o filme percorre bastidores, deslocamentos, processos criativos e experiências vividas por artistas, equipe e espectadores. A narrativa, que não segue uma ordem cronológica, propõe uma espécie de memória crítica sobre os caminhos percorridos pelo coletivo.

O documentário já está disponível gratuitamente no YouTube do Coletivo CIDA.

Uma década de histórias e produções

Ao longo dessa trajetória, o coletivo CIDA já produziu dez obras cênicas, 13 residências artísticas, oito produções audiovisuais, um livro-dança acessível, além de ações formativas, festivais e intercâmbios. O trabalho também ultrapassou as fronteiras do estado e do país, passando por diferentes regiões brasileiras e por países como Argentina, Chile, Equador, Portugal, França, Suíça e Índia.

Formado por artistas e profissionais técnicos com e sem deficiência, de diferentes gerações, identidades e trajetórias, o CIDA desenvolveu ainda a Dança-Tragédia, metodologia artística criada por René Loui que tem a acessibilidade, a diversidade e a presença de corpos historicamente marginalizados como elementos centrais da linguagem.

A programação comemorativa não se limita a olhar para o passado. Entre as ações previstas estão intercâmbios com a Nalini Cia de Dança, de Goiânia, e a Cia Sansacroma, de São Paulo, além da difusão do solo “Corpo Angular”, de Marconi Araújo, com direção de Rozeane Oliveira.

Também seguem em desenvolvimento “Quando Rinocerontes Aprendem a Voar”, de Jânia Santos, com direção de René Loui, além de dois novos trabalhos previstos para estrear e circular em 2027, “Quando Ela Diz Não”, solo de Rozeane Oliveira, e “Vigil Torporosa – As danças que não dancei para minha mãe”, solo de René Loui.

O coletivo prepara ainda o segundo livro-dança de René, “Dança-Tragédia”, e o projeto “Falatório”, inspirado na obra da artista Stella do Patrocínio. A iniciativa prevê, entre outras ações, a circulação nacional de “Reino dos Bichos e dos Animais, Esse é o Meu Nome”.

Em setembro deste ano, o CIDA realizou um intercâmbio com a Nalini Cia de Dança dentro do projeto “Corpo, Território e Diferença”. Já em dezembro, a programação prevê a aproximação com a Cia Sansacroma, conectando a Dança-Tragédia à pesquisa da companhia paulista, a Dança da Indignação, com residência, oficinas, conversas, compartilhamentos de processos e apresentações em Natal.

Coletivo CIDA - Insanos e Beija-Flores a dois metros do chão - Foto: Brunno Martins
Foto: Brunno Martins

Do RN para o mundo

A circulação internacional das produções faz parte da história do coletivo CIDA. Em novembro, o núcleo participa do MICSUR (Mercado de Indústrias Culturais do Sul), no Paraguai, integrando a delegação brasileira e sendo o único grupo artístico do Nordeste selecionado para esta edição.

A participação dá continuidade a um processo de internacionalização que já passou por encontros como o Mercado de Industrias Culturales Argentinas (MICA), na Argentina, o MICSUR, no Chile, e o Mercado de Indústrias Criativas do Brasil (MICBR), em Fortaleza. Ao longo dos anos, o coletivo também desenvolveu residências, intercâmbios, processos de criação e apresentações em países como Suíça, Equador, Portugal, Índia e França.

Para além da circulação, os dez anos também colocam em evidência os desafios de manter uma produção artística independente no Rio Grande do Norte. O coletivo aponta dificuldades relacionadas ao financiamento, à continuidade das políticas culturais e às barreiras de acesso enfrentadas por pessoas com deficiência e outros corpos dissidentes nos espaços de criação e circulação.

“Chegar aos 10 anos também significa reconhecer tudo o que foi necessário para permanecer”, afirma Rozeane Oliveira. Para a artista, a atuação independente também exige que os próprios artistas assumam funções de produção, gestão, comunicação, elaboração de projetos e prestação de contas, o que interfere diretamente no tempo destinado à criação e à pesquisa.

É nesse cruzamento entre memória e continuidade que o CIDA chega à primeira década. Em vez de encerrar um ciclo, a programação de aniversário coloca em movimento o repertório construído até aqui e abre espaço para novas pesquisas, obras e parcerias, mantendo o Rio Grande do Norte como ponto de partida para outros territórios.

Antota aí

Documentário: “Trilogia em Dança-Tragédia – O Registro de um Tempo que Precisa Mudar”
Onde assistir: YouTube do Coletivo CIDA
Instagram: @coletivocida
Site: www.coletivocida.com.br
Programação dos 10 anos: atividades previstas entre 2026 e 2027, com datas e locais divulgados gradualmente pelos canais oficiais do coletivo.