Juliana Gomes retorna à cena musical potiguar com o projeto “21:12”
Projeto prevê o lançamento de 12 músicas ao longo de 2026, sempre no dia 21 às 21h12

Depois de um período afastada dos lançamentos musicais, a artista potiguar Juliana Gomes retorna à cena com o projeto “21:12”, iniciativa que marca um novo momento em sua trajetória artística e pessoal. Ao longo de 2026, a cantora lança uma música inédita por mês em todas as plataformas digitais, sempre no dia 21 de cada mês, às 21h12.
Nesta a quinta-feira (21), Juliana apresenta mais um capítulo do projeto, a faixa “Meus dedos falam”. A canção fala sobre a vivência e o amor sáfico, dando continuidade à sequência de lançamentos que vem construindo ao longo do ano.

Mais do que uma série de singles, o “21:12” se constrói como um percurso emocional dividido em fases, sentimentos e experiências que atravessam a vida recente da artista. A ideia surgiu a partir de uma coincidência recorrente. “Por algum tipo de coincidência ou sinais do universo, quase todos os dias eu vejo a hora ‘21:12’. Nunca soube exatamente o que isso significa, mas como era uma coisa recorrente, sempre me chamou atenção”, conta Juliana. O conceito tomou forma durante um trajeto de volta para casa, quando decidiu transformar o horário em símbolo de seu retorno artístico.
Até agora, o projeto já apresentou as músicas “Atordoar”, “Coisa Olinda”, “Se Amanhã Eu Morresse” e “Meio Silêncio”. As faixas dialogam entre si a partir de três temas principais: liberdade, amor, ansiedade e tristeza. “Atordoar” inaugura um ciclo voltado à liberdade e à reconexão com a natureza e consigo mesma. “Coisa Olinda” mergulha em uma paixão de carnaval, enquanto “Se Amanhã Eu Morresse” abre espaço para reflexões sobre ansiedade e saúde mental. Já “Meio Silêncio”, lançamento mais recente, aborda os vazios e as dificuldades de comunicação dentro de uma relação.

O formato mensal também abriu espaço para novas possibilidades criativas. Sem precisar encaixar todas as músicas em uma estética única, Juliana passou a experimentar diferentes ritmos, composições e sonoridades. “Estou completamente aberta pra experimentar o que me der vontade ao longo do ano”, afirma. Para ela, o projeto só poderá ser compreendido integralmente ao final dos 12 lançamentos, quando será possível perceber como todas as músicas se conectam dentro de uma mesma narrativa.
O retorno à música acontece após um período de afastamento marcado por dúvidas pessoais, pressão social e um intenso processo de autoconhecimento. Juliana conta que interrompeu a carreira ao acreditar que a música deveria ocupar apenas um espaço secundário em sua vida. “Eu pausei na música por uma ilusão inconsciente de que o que eu fazia era um hobbie. Existe um plano de vida que a sociedade montou pra todos nós, onde o sucesso é definido pelo tanto que a gente trabalha e ganha”, relata.
Durante a pausa, a artista enfrentou um período de depressão e iniciou a terapia, processo que transformou sua relação consigo mesma e com a própria arte. “O período de pausa foi vazio, confuso, um turbilhão de sensações desconhecidas, mas também foi quando iniciei terapia e um processo de autoconhecimento. Hoje vejo que dá sim pra alinhar o que eu sou com o que eu preciso fazer pra ganhar dinheiro nessa sociedade.”
Essa transformação pessoal também redefiniu sua postura artística. “Estou mais velha, mais consciente, me conheço mais, me respeito e sei exatamente o que quero com minha arte”, diz.

A relação de Juliana com a música, no entanto, começou muito antes do projeto “21:12”. Segundo ela, a arte surgiu inicialmente como necessidade de expressão e comunicação emocional. “Minha trajetória com a música começa como uma necessidade de expressão. Nunca fui uma pessoa que pudesse confiar em muita gente pra conversar e me abrir, mas sempre tive muitos sentimentos escondidos e não compreendidos que eu precisava expor de alguma forma”, conta.
Hoje, ela entende a música como parte inseparável de sua identidade. “Não existe Juliana sem música.”
Entre as referências que ajudaram a construir sua sensibilidade artística, Juliana cita a cantora norueguesa Aurora como um dos primeiros grandes impactos emocionais. “Vi um vídeo dela cantando ‘Warrior’ e pensei: ‘quero fazer sentido assim’”, relembra. Atualmente, suas inspirações também passam por artistas brasileiras como Carol Biazin, Marina Sena e Anitta.
Mais do que marcar um retorno à música, o “21:12” representa, para Juliana Gomes, a possibilidade de existir artisticamente de forma mais consciente, livre e conectada com as próprias experiências. Ao transformar vulnerabilidade em narrativa e sincronicidade em linguagem criativa, a artista constrói um projeto que aproxima público e artista através da identificação emocional e da troca de vivências.




