Desde sua estreia, Euphoria se consolidou como uma das séries mais comentadas de sua geração. Não apenas pela estética neon, pelos enquadramentos ou pelas performances do elenco, mas principalmente pela forma como conseguia transformar o caos da juventude atual em reflexão. A primeira temporada tinha algo a dizer.

Em meio a temas como dependência química, sexualidade, solidão, saúde mental e violência emocional, a série conseguia provocar desconforto e identificação ao mesmo tempo. Existia exagero, claro, mas havia também profundidade. 

Entre a primeira e a segunda temporada, no início de 2021, a HBO lançou dois episódios especiais focados em Rue e Jules. Os capítulos funcionaram como uma ponte narrativa e surgiram, inicialmente, como uma solução para as restrições de gravação durante a pandemia da COVID-19. Ainda assim, acabaram se tornando alguns dos momentos mais sensíveis e intimistas da série, aprofundando a psicologia das personagens através de diálogos mais densos e de um olhar mais emocional sobre os acontecimentos do fim da primeira temporada.

A segunda temporada já dava sinais de desgaste. Entre altos e baixos, a trama começou a priorizar ainda mais o impacto visual do que necessariamente o desenvolvimento emocional de seus personagens. Ainda assim, existiam episódios fortes, conflitos interessantes e alguma tentativa de manter coerência narrativa. Mas a terceira temporada parece ter abandonado parte dessa construção.

Com oito episódios previstos, a terceira temporada chegou à metade neste domingo (10). O quinto episódio foi lançado e, embora a história ainda não tenha chegado ao fim, já fica difícil ignorar a sensação de que a série se perdeu no personagem que ela mesma criou.

A trama parece cada vez mais desconectada das questões que antes apresentava como centrais. É claro que os personagens envelheceram, as dinâmicas mudaram e atores deixaram a produção. Ainda assim, a insistência em referências constantes a outros produtos audiovisuais e a tentativa quase desesperada de despertar nostalgia em quem acompanha a obra desde o início acabam enfraquecendo a narrativa.

Vale lembrar: estética, sozinha, raramente sustenta uma história por muito tempo.

Existe uma sensação de vazio em diversos momentos da temporada. Embora a série tente mostrar que os conflitos apresentados são uma representação para diversos adultos problemáticos como os próprios personagens, sem uma direção mais consistente, muitos acabam se tornando caricatos. Além disso, os episódios apostam em simbolismos e sequências visualmente impactantes que nem sempre acrescentam algo à trama. As cenas da atriz Sydney Sweeney, intérprete de Cassie, é um dos principais exemplos disso.

Ainda há tempo para recuperação? Talvez.

Faltando três episódios para o encerramento da temporada, existe espaço para reorganizar parte da narrativa, aprofundar conflitos e devolver peso emocional às histórias.