Enquanto Houver Maré transforma fotografia em memória coletiva no litoral potiguar
Exposição gratuita no IFRN reúne registros produzidos com jovens de comunidades pesqueiras e segue aberta ao público até quinta-feira (10).

A fotografia pode registrar uma paisagem, um rosto ou um instante. Mas também pode preservar modos de vida, fortalecer identidades e aproximar pessoas de suas próprias histórias. É dessa ideia que nasce Enquanto Houver Maré, projeto do jornalista e fotógrafe Malu Didier, cuja exposição segue aberta para visitação gratuita até esta quinta-feira (10), no IFRN Campus Natal-Centro Histórico.
A mostra apresenta imagens produzidas durante a construção do fotolivro homônimo, desenvolvido de forma colaborativa com jovens de comunidades pesqueiras de Maxaranguape, Rio do Fogo e Touros. Mais do que documentar a pesca artesanal, o projeto convidou estudantes a olhar para seus territórios através da fotografia, transformando a câmera em ferramenta de memória, pertencimento e expressão.
O trabalho nasceu a partir das oficinas "Marés, Memórias e uma Pescaria de Histórias", realizadas em escolas públicas dos três municípios. Durante a formação, os participantes foram incentivados a registrar os saberes, as paisagens e o cotidiano das comunidades onde vivem, criando um acervo construído a muitas mãos.
Segundo Malu Didier, compreender a fotografia como expressão artística e instrumento de preservação cultural permite que os jovens reconheçam seus vínculos afetivos com o território por outra perspectiva e fortaleçam sua identidade por meio da imagem.
Entre os participantes está Livya Mayanna, de 14 anos, estudante da Escola Municipal Germano Gregório, em Barra de Maxaranguape. Para ela, a experiência despertou um novo olhar sobre o mundo.
"Para cada canto que eu olho, eu vejo que viajo só com a fotografia. As fotos que eu tirei ficaram muito bonitas. Sempre que pegava na câmera, ficava muito feliz. É uma emoção poder registrar qualquer imagem. Tomara que, daqui para a frente, eu seja fotógrafa ou alguma coisa."
Inspirado no movimento constante das marés, o fotolivro propõe um registro sensível da pesca artesanal nos municípios que integram a Área de Proteção Ambiental dos Recifes de Coral (APARC/RN). Além das atividades ligadas ao mar, o trabalho documenta paisagens, biodiversidade, ofícios tradicionais, crenças, memórias e personagens que ajudam a construir a identidade desses territórios.

Além da exposição, o projeto também disponibiliza gratuitamente uma versão digital do fotolivro, acompanhada de recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição parcial por meio de QR Code. Uma tiragem física será destinada à Associação de Maricultoras de Algas de Rio do Fogo (AMAR) e às bibliotecas das escolas participantes.
A exposição integra a programação da Semana de Arte, Cultura e Integração (SACI) do IFRN.
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Exposição "Enquanto Houver Maré"
📅 Visitação até 10 de julho
📍 IFRN Campus Natal-Centro Histórico
🎟️ Entrada gratuita
📖 Fotolivro digital: disponível no Instagram @enquantohouver.mare

