Azedos, barulhentos e revoltados: Bixanu estreia nova era com EP SourPunk
Com cinco faixas, guitarras explosivas e vocais que parecem gritos de liberdade a banda de Parnamirim mergulha de vez em uma sonoridade mais crua e visceral
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Exatamente um ano após o lançamento do EP de estreia, CandyPunk, os roqueiros mais felinos de Parnamirim retornam neste sábado (26) com um novo trabalho, o EP SourPunk. Com cinco faixas marcadas por guitarras pesadas e vocais únicos, o lançamento estreia uma nova fase da Bixanu, ainda mais punk, visceral e revoltada. A nova era não fica restrita aos ouvidos e o projeto foi pensado para ser um trabalho visual que terá sua narrativa ampliada por videoclipes e outros conteúdos audiovisuais produzidos pela banda para acompanhar as músicas e construir a identidade do EP.
Em junho, o quinteto já tinha dado um spoiler da nova era com o lançamento do single “Charismatic Charade”. Agora, com SourPunk, a banda consolida sua aposta em uma sonoridade mais crua, acelerada e provocativa, reforçando seu lugar como uma das queridinhas dos emos.
Como o próprio título sugere, as faixas mergulham de cabeça no punk. A estética aparece não apenas nos instrumentais, mas também na maneira como a Bixanu transforma incômodos, conflitos e frustrações em música. Entre críticas ao ego, referências à cultura pop, repulsa política, angústias pessoais e relações marcadas pela rejeição, o EP constrói uma narrativa atravessada pela sensação de não pertencimento e pelo desejo de romper com tudo aquilo que sufoca.
Guitarras pesadas, baterias estrondosas e vocais que se aproximam do grito dão corpo a essa inquietação. Em SourPunk, cada faixa funciona como uma espécie de válvula de escape e, ao mesmo tempo, como um retrato da nova era da Bixanu.
Swimming in an Egotrip
Abrindo o EP, “Swimming in an Egotrip” estabelece uma das principais tensões do trabalho ao falar do confronto entre o ego e a hipocrisia. A letra parece mirar uma figura que se coloca constantemente no centro das situações, dramatiza os próprios problemas e se recusa a reconhecer a responsabilidade pelas consequências de suas atitudes.
Os vocais de Isabel e Hugo acompanham esse embate, enquanto as guitarras criam uma atmosfera acelerada e quase desesperada e a bateria transforma a crítica em descarga. A faixa apresenta, logo de início, uma Bixanu disposta a apontar o dedo e fazendo isso em alto volume.
Wake Up, Alice!
Em “Wake Up, Alice!”, realidade e sonho se misturam. Inspirada no universo de Alice no País das Maravilhas, a música acompanha uma personagem dividida entre o desejo de continuar sonhando e a obrigação de retornar à rotina.
Musicalmente, a faixa reforça essa urgência com uma sonoridade explosiva logo de início, que aos poucos passa a construir uma atmosfera de tensão até explodir novamente. O grande destaque fica por conta do interlúdio, que quebra momentaneamente o ritmo e amplia a sensação de suspensão entre o sonho e a realidade, antes de a música retomar sua força. A dinâmica parece empurrar Alice para fora do sonho, ainda que ela não queira acordar.
Vomit
“Vomit” é a faixa mais direta e provocadora do EP. A música utiliza a imagem do vômito como representação máxima da repulsa ao nazismo, construindo uma letra agressiva, curta e sem espaço para sutilezas.
O peso da mensagem encontra correspondência no instrumental, que aposta na velocidade e na intensidade características do punk. Mais do que desenvolver uma narrativa, a faixa funciona como um grito de rejeição, transformando o nojo em linguagem musical e deixa claro que, em alguns casos, não há espaço para neutralidade.
Agony (Burn Inside)
Em “Agony (Burn Inside)”, a agressividade dá lugar a uma dimensão mais introspectiva. A letra atravessa sonhos destruídos, culpa, confusão e a sensação de carregar uma agonia que continua “queimando” por dentro.
A frustração também ganha uma dimensão territorial quando a música declara “I’m tired of Natal”. O verso amplia a sensação de exaustão e desejo de ruptura, como se o incômodo não estivesse apenas dentro do eu lírico, mas também no lugar que ele habita.
É uma faixa sobre cansaço e desorientação. Nela, o peso das guitarras e das baterias parece materializar justamente a dor persistente e difícil de ignorar que a letra descreve.
Charismatic Charade
Encerrando o EP, “Charismatic Charade” retoma o conflito com o outro, agora sob a perspectiva da rejeição e da falsidade. A música questiona uma relação marcada por jogos, aparências e promessas de mudança.
O título sintetiza essa ideia de encenação de que há algo de carismático na superfície, mas também uma farsa escondida por trás dela. O eu lírico parece reconhecer o jogo, mas ainda se vê preso à expectativa de que algo possa mudar.
A faixa fecha o trabalho preservando uma de suas características mais marcantes: vocais que soam como gritos de liberdade, acompanhados por guitarras fortes e baterias estrondosas. É como se a música inteira tentasse romper com aquilo que a sufoca.
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No fim, SourPunk funciona como um retrato de uma Bixanu mais inquieta, direta e disposta a transformar incômodo em barulho. As cinco faixas percorrem diferentes formas de conflito, com o outro, com a rotina, com a política, com a própria cidade e consigo mesma, mas encontram no punk uma linguagem comum para expressar tudo isso.
O EP não parece interessado em suavizar suas arestas. Pelo contrário, ele abraça a sujeira das guitarras, a força das baterias e a urgência dos vocais para transformar revolta em identidade.
Ficha Técnica:
SOURPUNK - Bixanu
Produção: Hugo Valentim e Bixanu
Mixagem: Hugo Valentim
Masterização: Yago Marques
Engenheiro de áudio e gravação: Hugo Valentim e Yves Fernandes
Estúdio e gravação: Estúdio Quarto Sem Cama e DoSol
Compositores: Isabel Severiano, Hugo Valentim, Álvaro Cruz, Makárius e Caio Eduardo
Vozes: Isabel Severiano e Hugo Valentim
Guitarras: Hugo Valentim e Álvaro Cruz
Baixos: Caio Eduardo
Baterias: Makárius
Sintetizadores: Hugo Valentim
Arranjos: Bixanu
Backing vocals: Isabel Severiano, Hugo Valentim, Álvaro Cruz, Makárius e Caio Eduardo
Direção musical: Hugo Valentim
Audiovisual
Agosto de 2026, Parnamirim/RN
Direção: Bixanu, Alex Oliveira e Lucas Bastos
Produção: Isabel Severiano
Roteiro: Hugo Valentim e Makárius
Direção de arte: Isabel Severiano
Motions e 3D: Makárius
Fotografia, retouching e still: Alex Oliveira
Captação de vídeo, edição, montagem, bastidores e still: Lucas Bastos
Assistente de fotografia, bastidores e still: Mateus de Araújo
Maquiagem: Passiflora e Yasmin Dumont
Figurino: Isabel Severiano e Hugo Valentim
Locação: Nobir Produtora
Apoio: Mateus de Araújo, Beatriz Nicácio e Michel Cavalcanti




