No último domingo (21), o Dia Mundial do Skate foi celebrado em Parnamirim com manobras, música e ocupação do espaço público. Organizado de forma independente pelo Projeto Skate Salva e parceiros, o Skate Day reuniu skatistas de diferentes gerações em uma programação que percorreu ruas da cidade e terminou com apresentações musicais e desafios de skate em frente à Câmara Municipal.

Mais do que uma comemoração, o encontro serviu como demonstração da vitalidade de uma cena que continua ativa mesmo diante da escassez de espaços adequados para a prática da modalidade na cidade.

A programação começou na quadra do Gaiolão, na Cohabinal, espaço bastante conhecido por quem acompanha o skate e a cultura urbana em Parnamirim. Há anos, o local funciona como ponto de encontro para skatistas, atletas de outras modalidades e diferentes expressões da cena underground da cidade.

Show Skate Day
Foto: Maiakovski Pinheiro

De lá, os participantes seguiram em uma skateada por diferentes pontos do município, realizando desafios de manobras e intervenções ao longo do percurso. O encerramento reuniu apresentações da Viramundo Potiguar, Joseph Little Drop e Nine Company, ampliando o diálogo entre skate, música e cultura de rua.

Quem acompanhou tudo de perto foi o fotógrafo Maiakovski Pinheiro, colaborador do Rua Larga. Em seu relato sobre a cobertura, ele destaca uma característica que atravessou toda a programação.

“O mais louco de tudo é perceber que o evento flui na mesma sintonia da minha cobertura: no corre autoral. Tudo ali foi feito na raça, de forma independente, com alguns apoios, mas com aquela energia de quem faz porque ama.”

Ao longo do dia, Maiakovski reencontrou nomes conhecidos da cena local e observou o surgimento de uma nova geração de skatistas, músicos e produtores culturais que seguem construindo espaços próprios para suas manifestações.

A reivindicação por espaços

Se a celebração mostrava a força da cena, as conversas ao longo do evento também revelavam uma preocupação comum: a falta de estrutura para a prática do skate em Parnamirim.

Organizador do Skate Day e responsável pelo Projeto Skate Salva, Luiz Miúdo lembra que a cidade ainda não conta com uma pista pública adequada para a modalidade. Segundo ele, a comunidade acompanha com preocupação a indefinição em torno da pista prevista para o Parque Esportivo de Parnamirim, complexo em construção nas proximidades da Maternidade Divino Amor.

“A cidade de Parnamirim precisa de uma pista de skate decente. Skate agora é esporte olímpico e merece respeito.”

Luiz Miúdo Skate Salva

Há cerca de seis anos, o Projeto Skate Salva atua promovendo ações sociais ligadas ao skate, arrecadando e distribuindo peças usadas, apoiando novos praticantes e realizando eventos gratuitos para quem muitas vezes não tem condições de participar de campeonatos fora da cidade.

Durante a conversa, Luiz também destacou o skate como ferramenta de inclusão social, convivência e fortalecimento comunitário. Para ele, iniciativas como o Skate Day ajudam a mostrar que existe uma cena ativa na cidade, formada por pessoas que seguem construindo oportunidades através do esporte e da cultura de rua.

Uma cena que insiste em existir

O skatista Armando Vieira, participante do evento, destacou a importância de ações construídas pela própria comunidade.

Segundo ele, eventos como o Skate Day só acontecem graças ao envolvimento direto de projetos, coletivos, marcas independentes e pessoas que dedicam tempo para manter a cena ativa na cidade.

Para Armando, a iniciativa também fortalece a conexão entre diferentes expressões da cultura urbana, aproximando praticantes do skate, músicos e frequentadores do underground local em um mesmo espaço de convivência.

Armando Vieira Skatista

A percepção encontra eco nas impressões de Maiakovski.

“Esse é o retrato perfeito de que Parnamirim tem sede. Sede de vida, de esporte, de arte. Com um pouquinho mais de incentivo, essa galera mostra que a nossa cidade é um verdadeiro celeiro de esporte e cultura.”
Skate Day Foto 2

Por trás de cada manobra e de cada acorde, o evento também revelou uma rede de colaboração construída pela própria comunidade. Muitos dos obstáculos utilizados nas atividades são produzidos pelos próprios skatistas, que reciclam materiais, compartilham equipamentos e dividem responsabilidades para fazer o evento acontecer.

Entre manobras, shows e encontros, o Skate Day deixou evidente que existe uma cena pulsante em Parnamirim. Uma cena que segue construindo seus próprios caminhos, ocupando as ruas e criando oportunidades. O que seus participantes pedem, agora, é que essa disposição encontre também apoio e estrutura para continuar crescendo.

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